De olhos postos no verão…

Hoje é o último dia de aulas do semestre. Estou no mesmo sitio onde escrevi o post que deu inicio a este blog. É impossível evitar olhar para trás e fazer uma retrospetiva dos últimos três meses em jeito de review.

Quando comecei a pensar em qual o tema que iria escolher para este blog a cozinha foi o meu primeiro pensamento. No entanto, e como queria relacioná-lo com as Relações Públicas, tive algum receio de que não fosse conseguir fazer uma ligação entre as duas às áreas que, à primeira vista, não têm nada a ver uma com a outra. Mas esse entrave acabou por se verificar pouco real. Acabei por perceber que existem, na verdade, muitas semelhanças entre aquilo que são as RP e a comida. Até existem parecenças entre um chef e um profissional de RP: são ambas profissões que causam (muito) stress, que muitas vezes não têm horários, e que requerem uma gestão de equipas e de relações para que tudo funcione. Não percebi tudo isto no primeiro post, fui percebendo ao longo desta “aventura”. Tal como fui percebendo muitas outras coisas sobre as Relações Públicas das quais não tinha noção antes do inicio deste semestre.

Este blog foi acompanhando o meu percurso como estudante de relações públicas ao longo dos últimos meses. E, tal como acontece atualmente nesta área, o mundo está em constante mudança, a informação muda instantaneamente, o que é verdade agora pode não o ser daqui a 2 minutos (ou menos). Foi mais ou menos o que aconteceu com a minha perceção do que são as RP. Não mudou completamente, mas sofreu algumas alterações.

Ao reler o post que escrevi em Março, realizei que apenas me foquei no lado mais tradicional das relações públicas sem dar especial foco àquilo que são hoje em dia face às alterações no mundo e na sociedade. Este semestre mostrou-me isso mesmo. Que as relações públicas são confrontadas diariamente com problemas e questões que lhes chegam de forma diferente, cada vez mais rápida e que o modo como comunica está em constante transformação.

Continuo a acreditar, como acontecia ao inicio, que a comida é uma forma de comunicação. Que as RP são “responsáveis por criar relações duradouras entre uma organização e os seus públicos.” e “Cozinhar para alguém ou partilhar uma refeição é uma das melhores formas de fortalecer os laços que temos com essa pessoa.” Mas quando escrevi uma definição de Relações públicas como “…um dos métodos através do qual a sociedade se ajusta à mudança das circunstancias” não tinha bem a noção destas mudanças. Assim como também não sabia que a comida (e a culinária em si) vão acompanhando, e muito, estas mudanças.

Os social media têm um forte impacto nas RP de hoje em dia , tal como têm em tudo. Ao mesmo tempo que, por um lado, fazem com que a comunicação seja mais rápida, imediata e de chegue mais facilmente aos públicos, requer também uma adaptação constante à mudança (que acontece a cada segundo que passa) e um cuidado com aquilo que se diz/faz e que pode ter graves repercussões na reputação da organização. O mesmo se passa com a amizade. Enquanto que permitem que estejamos sempre ligados aos nossos amigos, que falemos com eles sempre que precisamos, que demonstremos publicamente os nossos afetos, os social media também causam alguns transtornos, alterando aquilo que era (e deveria continuar sempre a ser) a comunicação ente amigos. Quando estamos reunidos, quantas vezes não estamos todos agarrados ao smartphone, a ver o feed do Instagram ou do Facebook? Muitas dessas vezes estamos até a identificarmo-nos uns aos outros em publicações…

Estamos constantemente ligados e a comunicar, e como tal, o modo como as RP atuam tem de se ir adaptando a este novo ambiente não se deixando ficar para trás. O mesmo acontece no mundo da culinária. Tem de haver uma adaptação constante ao “novo mundo” para que não se percam hábitos, tradições, mas que também não se deixe cair no esquecimento, não perca o interesse e não se torne numa coisa meramente necessária.

E acho, sinceramente, que tal não vai acontecer. Estas duas áreas estão em expansão e têm ainda muito espaço para crescer pois têm cada vez mais importância. A food culture está na moda. As redes sociais são inundadas diariamente por fotos de comida, as apps de restauração multiplicam-se, já ninguém vai a lado nenhum sem fazer check-in na Zomato. Toda a gente tem uma opinião sobre tudo e não têm medo de a expor, o que é cada vez mais fácil graças à proliferação da internet e dos meios de comunicação acessíveis em qualquer lugar e com um espectro de influência bastante alargado.

Tudo isto comprova também a necessidade muito presente das relações públicas como meio de monitorizar tudo isto, tentando ao máximo prever possíveis riscos e colmatar potenciais falhas. Qualquer organização precisa, cada vez mais, de um departamento de relações públicas que se consiga adaptar a este novo ambiente e que crie valor e distinção.

No mundo atual, as relações públicas são dos bens mais essenciais (tal como a alimentação) pois com tantas ideias e opinião a surgir e a “flutuar” ao mesmo tempo e vinda de tantas fontes diferentes torna-se crucial a existência de “alguém” que as gira ao máximo para prevenir os danos potencialmente catastróficos que advém do choque de tantas diferenças.

Embora possa parecer, este post não é uma despedida! Vou continuar a passar por aqui para partilhar convosco o “sofrimento” de ser estudante de RP mas tentando sempre fazê-lo da forma mais saborosa possível. Agora, com o verão (e as férias!) mesmo aí à porta, vou por os meus “óculos de RP” (escuros…) e sentar-me numa esplanada qualquer, olhando para o mundo da nossa maneira muito própria, com os meus amigos… E não se preocupem. Não vou guardar nada só para mim e poderão contar com as minhas sugestões para que, neste verão, ninguém fique em casa agarrado ao Facebook a ver “passar” a vida dos outros mas que saiam e criem conteúdos daqueles que vale mesmo a pena partilhar!

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Os Predadores

Há já vários meses que ando para começar a ver a série norte-americana House of Cards, que aborda temas como o poder e a corrupção e cujo personagem principal, Francis Underwood (Kevin Spacey), é um homem quem não olha a meios para chegar a um cargo de poder na Casa Branca. Como tal, não hesitei quando me foi proposto ler o livro Os Predadores, do jornalista da revista Sábado, e autor da biografia do atual Presidente da República, Vítor Matos. Nada melhor do que começar por entender como funcionam estes “jogos” dentro do nosso próprio país, certo?

Que os políticos não são todos gente honesta e confiável já tomos sabemos.  Mas talvez não tenhamos conhecimento de grande parte das técnicas utilizadas por estes para chegar ao poder e do quão viciado se encontra o sistema partidário em Portugal.

Hoje em dia, com o sufrágio universal direto e secreto, a manipulação das eleições a nível nacional já não é possível, logo esta é feita dentro dos próprios partidos que chegaram, eventualmente, a Belém.

As eleições internas dos partidos são fraudulentas pautando-se pelos escândalos de espionagem interna, pirataria informática, pagamento massivo de quotas.

Neste livro, Vitor Matos pretende mostrar, através dos resultados de várias investigações que conduziu, a forma como os grandes partidos em vigência colocam em risco a democracia através das redes de caciques, focando-se nos dois grandes partidos, o PS e o PSD.

Para o fazer dividiu-o em três capítulos principais: Os de Baixo, Os do Meio e Os de Cima – fazendo uma analogia com os patamares das pirâmides de poder que existem desde os partidos do rotativismo (Regenerador e Progressista).

“Os votos não têm dono, mas têm trela.”

É uma frase que caracteriza o modo como funcionam as relações nos partidos com os de baixo a apoiar os de cima com votos controlados e a serem recompensados com lugares na Administração Pública.

Os caciques – político que dispõe dos votos da sua localidade e tem grande poder localmente = manda-chuva – e os seus galopins – mocinhos de recados, angariadores assalariados de votos em ocasião de eleições – são os principais responsáveis por eleger e depor os lideres dos partidos.

“O cacique é, basicamente, um intermediário entre os segmentos sociais locais e o Estado que os engloba. Ele fornece os meios, os votos indispensáveis à legitimação das instituições politicas.”

Para tal, têm de fazer militantes às dezenas e pagar quotas em atraso que lhes permitam votar e, posteriormente, convence-los a votas no candidato “certo”.

Os caciques garantem a fidelidade dos seus galopins, montam redes de influências, de dependências e de lealdades.

Ao avançarmos neste livro, vamos tomando contacto com os vários níveis em que estes atuam e nos quais vão espalhando a sua influência de modo a atingirem os seus objetivos. No 1º nível, os de Baixo, escolhem-se os candidatos às juntas de freguesia e às câmaras, no 2º, os do Meio, definem-se os candidatos a deputados, os 3º, os de Cima, distribuem posteriormente cargos na AP aos primeiros.

O caciquismo é referido como se mantendo igual desde o Portugal oitocentista, com base em compadrio, favores, cunhas, o que não é difícil de verificar nos dias de hoje (ou não fosse o português no geral tão pautado pelo gosto do “tacho”.)

No século XIX, o caciquismo era atribuído ao analfabetismo da população, mas como justificá-lo agora? Estaremos, atualmente, perante militantes partidários “analfabetos”?

Tudo começa nos de Baixo, nas juventudes partidárias, nas Juntas de Freguesia, nas Câmaras Pequenas, nas Secções, concelhias e núcleos locais. É logo nas juventudes partidárias – o “berçário de lideres, de dirigentes e de quadros” – que a degeneração começa. Estas são, para além das juntas de freguesias, uma excelente fonte de angariação de militantes que, posteriormente, irão entrar para os partidos e, quiçá, exercer altos cargos governamentais (como é o caso de António Costa e Pedro Passos Coelho que começaram ambos nas “jotas”). São descritos, ao longo do livro, casos de abusos eleitorais que começam com falsificação de fichas nas juventudes.

Uma das situações descritas no livro que me chamou mais a atenção mostra-nos como este tipo de esquemas pode estar mesmo à nossa frente sem sequer darmos por eles e que, mesmo sem querermos, podemos ver-nos envolvidos nos mesmos. Dois estudantes do ISEG tornaram-se militantes do PSD, sem saberem, depois se terem inscrito na equipa de Futebol da Associação de Estudantes. Neste caso “os militantes eram inventados e depois alguém votava por eles”.

As juventudes partidárias têm igualmente uma ligação excessiva aos jobs for the boys.

 

Os presidentes da junta participam também de forma crucial em todo este esquema, angariando gente para irem aos eventos locais onde estarão membros mais importantes do governo. São fundamentais para encher salas, assim como os presidentes da câmara.

Uma das técnicas pela qual se pautam os esquemas de controle das votações são o pagamento em massa de quotas a militantes desligados para que estes possam votar. O dinheiro para estes pagamentos aparece de diversas fontes, desde trabalhos de construção civil, a empresas gráficas, ou angariado em iniciativas de recolha de fundos. São os “sacos de votos” e a distribuição de benesses que levam ao controlo dos mecanismos internos dos partidos rumo aos interesses particulares.

Nos do meio, reina o tráfico de influências. Em Coimbra, nas eleições internas do PS para a Federação Distrital de Coimbra em 2010, André Figueiredo abordou o candidato Vítor Batista para saber se este se iria recandidatar e propôs-lhe o seguinte acordo: caso este não se recandidatasse, arranjar-lhe-ia “um lugar de gestor público no Metro, na CP ou na Refer”.

Em troca de votos “arranja-se” um cargo para a filha, uma casa para a mãe, consultas no hospital, baixas, atestados médicos e até, como descrito no caso mais caricato, próteses dentárias para a mulher.

Aqui existem até casos de pessoas que nem sabiam ser filiadas, mas que votam.

Os jobs for the boys são também uma constante. O único que recusou distribui-los, Norberto Pires, só durou 5 meses no cargo de presidente da CCDR centro.

Por fim temos os de Cima, os líderes. Na candidatura de Luís Filipe Menezes contra Marques Mendes houve suspeitas de espionagem e de subornos. Menezes foi eleito presidente do PSD contrariamente a todas as espectativas e graças a uma rede de caciques montada a nível nacional (até pirataria informática houve!)

Todos os trabalhos de Passos Coelho foram arranjados por amigos da “jota” e do PSD. O ex-primeiro ministro foi “criado” por Miguel Relvas através de almoços e jantares com presidentes de distritais e concelhias.

Já o atual Primeiro-Ministro António Costa atribuiu empregos a toda a família.

“Ponto assente é que nenhum politico chega virgem ao poder (…) se não fez batota e vigarices para ascender, teve de pactuar com elas, tolerá-las ou fechar os olhos. Quem não tiver estomago para entrar neste jogo tem bom remédio: fica fora do poder.”

Não bastando isto ser assustador só por si, ainda mais o é quando vivemos num país em que o poder alterna, geralmente, só entre estes dois partidos desde 1976.

Quando acabamos de ler este livro, ficam algumas ideias: existe alguma forma de contornar este sistema tão enraizado? Vamos continuar a viver numa “democracia” em que alguém decide o nosso futuro por nós com base nos seus próprios interesses?

Este livro permite-nos fazer algumas associações, que para mim são quase inevitáveis. Os caciques aqui tantas vezes referidos, funcionam com base na comunicação que fazem. Eles organizam jantares, criam redes de contactos, convencem as pessoas sobre em quem devem votar, criam influências e boas relações com quem interessa. É isto que os leva ao sucesso. E claro que não estamos aqui a falar da manipulação dos votos em si e das fraudes levadas a cabo por estes. É um livro que, embora seja bastante descritivo, nos fornece um conhecimento interessante acerca do funcionamento da política no nosso país e dos mecanismo que conduzem, verdadeiramente, ao poder. 

Como jovens e especialmente como profissionais de comunicação Os Predadores faz-nos pensar naquilo com que temos de lidar no campo da política e em qual poderá vir a ser o nossa contributo no combate ao sistema fraudulento. Este livro é interessante para qualquer pessoa que tome a democracia como garantida correndo o risco de desmotivar, ainda mais, a participação na vida política mas, preferencialmente podendo incentivar à vontade de mudar.


“No século XIX havia o cabrito com batatas ou o bacalhau frito para pagar votos; hoje são as camionetas cheias para comer carne assada, ou o passeio em excursão para ir a Fátima.”

E como nem tudo o que se tira daqui tem de ser necessáriamente mau, deixo-vos a receita de cabrito no forno da minha mãe que, mesmo sem querer “comprar votos”, consegue convencer-me a fazer o que ela quer.. 😉

Ingredientes

1 cabrito pequeno
1 cabeça de alho
100 g de Margarina
2 colheres de sopa de colorau
Sal
Louro
Pimenta
2,5 dl de vinho branco
Azeite
1 kg de batatinhas
300 g de cebolinhas pequenas

Preparação

Colocar o cabrito no tabuleiro do forno.
Descascar os dentes de alho e esmaga-los juntamente com o azeite, o colorau e o sal.
Esfregar o cabrito com a pasta, juntar o louro e pedaços de margarina por cima. Temperar com pimenta.  Regar com o vinho branco. Tapar e reservar no frigorífico de um dia para o outro.
Ligar o forno nos 180 °C.
Lavar as batatas, mas deixar a pele. Descascar as cebolinhas e juntá-las às batatas. Temperar com sal, salpicar com um pouco de colorau e dispor à volta do cabrito.
Levar a assar no forno entre 90 minutos a 2 horas, regando e virando o cabrito de vez em quando.

São Pedro está a precisar de um docinho…

Gostava muito de perceber que Primavera é esta. Ainda ontem estava um dia de praia fabuloso e hoje está assim…

Eu acho que, no fundo, São Pedro sabe que a malta anda cheia de trabalhos e aflita para acabr o semestre e não quer que ninguém se sinta mal por não poder ir para a praia. Mas vá lá, um bocadinho de sol não fazia mal nenhum. Nem que fosse para ir trabalhar para uma esplanada!

Como não me parece que isso vá acontecer este fim-de-semana (e com este tempo não nos precisamos de preocupar se estamos em forma para a praia), ficam aqui 31 (sim, 31!) receitas de cupcakes que alegram até os dias mais cinzentos…

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Com este tempo até parece que estamos no Natal…

Lembro-me perfeitamente do dia em que deixei de acreditar no Pai Natal. Noite de 24 de dezembro e o Pai Natal estava lá em casa. Sentou-se numa cadeira e disse-me para ir para o seu colo. Fui, nervosa com tanta excitação, e reparo que o Pai Natal tem os óculos da minha avó. Seguiu-se a desilusão. O Natal perdeu, momentaneamente, a sua magia. Mas, agora que cresci, e que comecei a estudar Relações Públicas percebi que a existência do Pai Natal depende da eficiência do seu departamento de comunicação.

O Pai Natal tem o melhor departamento de relações públicas de sempre.

Na minha cabeça consigo imaginar o velho de barbas brancas, na sua casa na Lapónia que funciona como uma autêntica organização.

Cada departamento funciona em simultâneo para proporcionar ao seu público principal, as crianças, o melhor natal possível.

Engana-se quem pense que o natal começa quando as criancinhas enviam as suas listas de desejos. Tudo começa a ser preparado assim que acaba um natal. O plano é redefinido anualmente de acordo com o que se passou no ano anterior, corrigindo o que correu mal e reajustando aquilo que se considere necessário (é cíclico, que como qualquer plano de comunicação, depois de avaliado pode ser necessário recomeçar).

Tudo isto parece não fazer sentido, não é? Vejamos, então.

Olhemos para o trabalho do Pai Natal como se de uma organização se tratasse. A preparação de um evento como o Natal requer uma logística enorme e que envolve um grande numero de pessoas para que seja bem-sucedida. Temos o departamento financeiro, o de gestão de stock, o de produção, de compras, de clientes, de marketing, de controlo de qualidade, de distribuição, entre outros geridos maioritariamente por duendes (exceto a distribuição que, como sabemos, se encontra sob a alçada das renas). Mas o departamento mais importante é, claramente, o de comunicação. Porquê? Parece-me óbvio.

Existe alguma figura que causa mais alarido e excitação do que o Pai Natal? E não é só junto das crianças, apesar de estas serem o seu foco principal.

O Pai Natal é uma figura típica de muitas culturas ocidentais que se encontra bastante enraizada nas mesmas. Desde cedo, o natal é para a maioria das crianças totalmente centrado na chegada do Pai Natal com os presentes que pedem. São muitos os pais que usam a ideia do Pai Natal para convencer a pequenada a portar-se bem durante todo o ano sob o risco de não receberem qualquer prenda.

São várias as figuras históricas das quais deriva a representação moderna do Pai Natal. O Father Christmas (Grã-Bretanha), o Sinterklaas (Holanda) e o Saint Nicholas (Grécia). Mas a sua figura diverge da dos anteriores tendo apenas características de cada. Father Christmas vestia de verde e representada o espírito da alegria, Saint Nicholas oferecia presentes generosos aos mais pobres, já Sinterklaas é o presumível progenitor do Pai Natal.

Mas é a partir do século XX que esta figura se massifica. São as míticas campanhas da Coca-Cola, que se iniciam nos anos 20, que começam a estruturar a figura do Pai Natal como o conhecemos hoje. É em 1931 que surge a primeira campanha com uma ilustração do “Santa” como uma figura tanto realista como simbólica, o próprio Pai Natal e não alguém mascarado. Até 1964, a publicidade da Coca-Cola mostrava sempre o Pai Natal a distribuir brinquedos, a ler cartas, a visitar crianças e a espreitar os frigoríficos das casas das pessoas.

A personagem do Pai Natal está tão bem construída que a sua representação é sempre semelhante. Velho, gordo, de barbas brancas vestido de vermelho, com um cinto preto e botas da mesma cor e um barrete.  Transporta os presentes dentro de um grande saco, num trenó conduzido por 9 renas. Gosta de leite e bolachas.

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A reputação do “old saint Nick” é irrepreensível. Segundo Jonathan Meat, um produtor de televisão que se mascara de Pai Natal para visitar crianças em hospitais, “O Pai Natal é o único ícone cultural que é um homem, não possui uma arma, e está pela paz, a alegria, o dar e o cuidar dos outros.” Nunca encontramos qualquer referência negativa ao Pai Natal em qualquer meio de comunicação.

Os seus valores estão bem presentes e são reconhecidos por todos: a amizade, a bondade, a partilha, são componentes constantes em qualquer campanha que envolva o Pai Natal.

Dentro dos diversos stakeholders com que se relaciona, as crianças são o público principal do Pai Natal. É rara a criança que, pelo menos até certa idade, não acredite no Pai Natal e não anseie a sua chegada. E é fácil perceber porquê. Esta personagem está presente em todo o lado (existe uma constante ativação de marca), é sempre representada de forma positiva e friendly mesmo por terceiros, e a sua chegada contribui para a felicidade de pequenos – e graúdos (alivia até muitas dores proporcionando momentos de felicidade).

O público está convencido, o Pai Natal continua a ser a figura central desta época festiva (muito mais do que o Menino Jesus) e a ideia tida do velhote é praticamente inabalável. A sua comunicação é tão bem feita que algumas crianças recebem, “misteriosamente”, cartas de resposta às suas listas.

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Se isto não demonstra a eficiência do departamento de Relações Públicas, não sei o que o fará.

E então, o Pai Natal existe? Claro que sim. Desde que continue a apostar nas RP….

Mas…. Há algum motivo para falar do Pai Natal quando estamos a desesperar pelo verão? Não, no entanto, é uma ótima desculpa para partilhar a receita de umas das minhas bolachas preferidas!

Bolachas de Manteiga de Amendoim e Chocolate

Ingredientes:

1 chávena de manteiga de amendoim

1 chávena de açúcar

1 ovo

½ chávena de pepitas de chocolate

Preparação:

Pré-aquecer o forno a 175ºC e cobrir um tabuleiro com papel vegetal.

Com a batedeira, misturar a manteiga de amendoim, o açúcar, o ovo e as pepitas até estar tudo bem combinado.

Formar bolinhas com a massa e mergulhá-las em açúcar par cobrir. Dispor as bolas no papel vegetal e espalmar. Colocar mais algumas pepitas de chocolate por cima.

Levar ao forno entre 6 a 8 minutos. Remover e deixar arrefecer.

“Too many ideas, not enough time”

Diariamente, quando “passeio” pelo feed do meu Instagram, deparo-me com um novo restaurantes, uma pastelaria acabada de abrir, uma esplanada com uma vista espetacular, um evento a acontecer proximamente e a reação é quase sempre a mesma – identificar a minha melhor amiga num comentário a dizer: “Ana, vai ver isto ao site da NiT! É a nossa cara!”

O site da New in Town é uma tentação para mim. Perco-me a navegá-lo durante imenso tempo e a acrescentar ideias à minha wishlist (que não tenho tempo de cumprir!). Muitas das vezes acabo por lá ir parar através de algum post que encontre no Facebook mas fico sempre a ver mais qualquer coisa.

A NiT é uma revista online de lifestyle, cultura e lazer que nasceu em 2014 e que, desde então, passou a fazer parte dos meus sites de eleição.

Visualmente, o site da NiT é, a meu ver, bastante agradável. É clean, organizado, com várias imagens e uma palete de cores fresca e consistente ao longo de todo o site. Tem um aspeto jovem e dinâmico, apropriado ao público a quem se destina.

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Na página inicial encontramos imediatamente, no canto superior esquerdo, os links para todas as redes sociais em que a revista se encontra, assim como uma caixa de pesquisa para que possamos facilmente encontrar o que procuramos.

No topo da homepage encontramos as cinco categorias de temas – BUZZFOOD, COOLT, VANiTY, FIT e OUT OF TOWN – e ainda a área de vídeos – NiTtv – e a NiTletter. Ao fazer scroll ao longo de toda a página podemos encontrar as principais noticias do momento de cada uma das áreas. No fim da página podemos ver algumas imagens do feed do Instagram da NiT, subscrever a newsletter e aceder aos contactos, ficha técnica, entre outros.

O site está então organizado em cinco áreas distintas cada uma relativa a um tema diferente e com uma cor que lhe corresponde. Ao entrar em cada uma das diferentes páginas podemos verificar que o é consistente entre todas. Com fotografias, texto legível, e divida em subcategorias, é possível aceder a vários conteúdos de forma simples.

Tendo em consideração o quão partilháveis são os conteúdos disponíveis no site, fazê-lo é muito fácil. Ao colocar o rato em cima de uma das imagens principais é-nos dada a opção de partilha no Facebook, no Twitter ou por e-mail.

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Dentro de cada um dos artigos existe normalmente uma galeria de fotos, no topo do mesmo, onde constam mais informações, especialmente quando se trata de listas.

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A navegação dentro do site é bastante simples e conseguimos alternar entre as várias noticias através das sugestões que nos surgem em cada uma página e que nos levam para conteúdos relacionados com o que estávamos a ver.

Dentro de cada categoria, as subcategorias estão comprimidas e para ver mais noticias dentro dessa área é necessário clicar em “ver todos” o que faz com que não seja necessário fazer um “scroll infinito” para se chegar ao fim dá página.

No final das páginas de cada uma das cinco áreas encontramos sempre as últimas noticias de todas as secções.

Os conteúdos do site da New in Town são atualizados diariamente e estão sempre em cima do acontecimento.  A escrita tem, geralmente, um tom engraçado, descontraído e apelativo. Na Nittv, a área de vídeos, estes dão criados pela própria revista, abordando diversas temáticas, mas todos com boa qualidade e com detalhes gráficos que coadunam entre si.

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Em cada artigo o seu autor está bem identificado, imediatamente abaixo titulo com o nome e um thumbnail com a fotografia.

Na minha opinião, o site da NiT é bom e corresponde exatamente àquilo que se espera dele. No entanto, consigo encontrar pequenas falhas que (e podem chamar-me picuinhas) me chamam à atenção. Por exemplo, na área dos vídeos o tipo de letra do corpo dos textos é diferente do tipo de letra do corpo das noticias das restantes áreas; alguns dos títulos são demasiado grandes obrigando quase a que se abra o artigo para percebermos do que se trata e, aquele que para mim é o mais defeito, não se consegue abrir as noticias numa outra tab sendo preciso sair da página onde nos encontramos. Mas estes são apenas alguns detalhes que não fazem com que este deixe de ser um dos meus sites favoritos.

Graças à NiT e às sugestões maravilhosas que encontro todos os dias no seu site, já tenho mais sítios onde ir no verão do que dias de férias. Por agora, enquanto São Pedro não se decide e os trabalhos da faculdade se acumulam na contagem decrescente para o final do 2º ano, resta-me ir registando todas as coisas que quero fazer e esperar que cheguem os dias em que posso por tudo em prática.

Amor à primeira vis(i)ta

Se há sítios que nos conquistam de imediato, o Maria Azeitona, para mim, é um deles.

A Amadora é, provavelmente, dos últimos locais na zona de Lisboa onde nos lembraríamos de procurar um restaurante quando queremos comer fora. Sei disso em primeira mão mesmo por morar lá. Durante muito tempo sempre que queria encontrar um bom restaurante a tendência era para procurar em Lisboa, em Sintra, na linha de Cascais, mas nunca perto de casa. Ora, isso mudou há dois anos para cá.

O Maria Azeitona abriu, em 2013, no centro da Amadora (bem perto da estação de comboios e dos Recreios) e veio facilitar a tarefa de escolher um sitio para jantar (ou almoçar).

A localização é, sem dúvida, um fator que deixa muitos de pé atrás. Quando digo a alguém que conheço um restaurante ótimo e que este fica na Amadora a reação é muitas vezes: “Na Amadora, a sério?”. Mas não é, de todo, isto que define o MA. Ao passar na Rua Alfredo Keil, uma das principais ruas da cidade e onde fica o restaurante, quase nem damos por ele de tão discreto que é. A fachada toda pintada de cinzento, no rés-do-chão de um prédio, só se distingue pelo pequeno quadrado verde com o nome e pela montra bastante criativa.

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Foto: OpinaRestaurantes

Mas assim que entramos, tudo muda. O espaço é pequeno, mas muito acolhedor e a decoração dá-lhe um encanto especial e fazendo-nos esquecer completamente do sitio onde estamos. Com as suas cadeiras coloridas, a enorme garrafeira, e os detalhes da vida portuguesa fazem do Maria Azeitona um sitio cheio de “pinta” e onde apetece estar a aproveitar de um longo almoço de família ou de amigos. A musica também ajuda, sempre bem portuguesa, e o 24 Kitchen em todas as televisões abre ainda mais o apetite.

Foto: Maria Azeitona

No Maria Azeitona somos sempre recebidos com um sorriso e tratados como se fizemos parte da família. Os empregados são sempre muito simpáticos e atenciosos e fazem-nos sempre sentir bem-vindos. Apesar de o restaurante estar quase sempre cheio, o serviço é eficaz e rápido não decorando independentemente do quão atarefados estejam. Existe sempre aquela atenção especial de explicar os pratos, de fazer uma sugestão. Estão muito atentos ao detalhe, e ao bem servir. Uma das coisas que mais me fascinou na minha primeira visita ao MA foi o facto de terem disponível um prato especialmente para crianças em que o bife vem já cortado em pedacinhos (e que é sempre o pedido do meu irmão Tiago, o seu maior fã).

A ementa é simples, mas deliciosa. É composta por duas partes, os petiscos (ou entradas) e os pratos principais (os fixos e os dois do dia) todos tradicionalmente portugueses. Se me perguntarem os meus preferidos acho que não me consigo decidir. Já fui tantas vezes ao Maria Azeitona que é possível que já tenha experimentado todos os pratos do menu. E ainda não encontrei um que não me tivesse agradado. À mesa nunca faltam as azeitonas, maravilhosamente temperadas, a fazer jus ao nome do restaurante. E a sangria de espumante e frutos vermelhos, ai ai…

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Mas, uma das melhores partes, não aparece na ementa. As sobremesas… No fim da refeição, um dos empregados vem perguntar se queremos sobremesa e diz-nos quais as opções. Eu já as sei praticamente de cor, no entanto, isto pode ser visto como um ponto fraco pois não conseguimos saber o preço de cada uma antes de a pedirmos o que pode por vezes ser demovedor. O mesmo se passa com as bebidas.

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E wi-fi? Esse “amigo” tão importante para partilharmos fotografias das iguarias que nos vierem para a mesa.

ZOMATO - Inês Tomé

Foto: Inês Tomé – Zomato

Existe o da vizinha, e funciona. Podemos fazer inveja aos nossos seguidores do Instagram.

Outra das (poucas) criticas feitas ao restaurante, e para mim o ponto mais negativo, é o facto de não haver multibanco. Existe uma caixa perto, mas mesmo assim nunca se sabe de antemão quanto vamos gastar e seria bem mais fácil poder pagar com cartão.

O estacionamento na zona também não é abundante. A alguns metros temos um parque de estacionamento, mas que é pago durante a semana e que também não é muito grande. Podemos ter sorte e encontrar um lugar numa das ruas circundantes, mas não é garantido.

O Maria Azeitona tem feito sucesso e as avaliações que encontramos na internet são bastante positivas e deixam qualquer um com vontade de lá ir. Na Zomato está avaliado em 4.3, e quase todos os utilizadores elogiam o espaço, a comida, o serviço e a relação qualidade preço. A afluência ao restaurante é tal que é essencial reservar mesa, especialmente se não quisermos esperar. Mesmo durante a semana! E o Maria Azeitona está aberto o ano inteiro, mesmo nos feriados o que o torna numa excelente opção para aqueles dias em que está tudo fechado.

Ah! E no caso de quererem ir almoçar em qualquer dia da semana, podem sempre espreitar o Facebook do Maria Azeitona e ver quais são os pratos do dia. Mas cuidado, seguir esta página pode ser perigoso. Todos os dias, quando por volta da hora do almoço são publicados os pratos, fico com vontade de lá ir!13082633_569114233266598_4081550494383665657_n

Fica uma sugestão para o Dia da Mãe, se a vossa for como a minha, vai adorar!

“Before you speak, listen…”

Quem não gostava mesmo de receber um convite para ir experimentar aquela restaurante novo ou para provar o novo menu de um qualquer chef famoso? Porque é que são sempre os mesmos a ser convidados para este tipo de acontecimentos?

Todos já nos devemos ter perguntado isto alguma vez. Somos muitas vezes dominados por aquela “inveja” quando vemos alguém que está constantemente a ir experimentar restaurantes.

Ora estas decisões sobre quem é convidado ou não são tomadas de qualquer maneira. Existem motivos para que sejam convidadas certas pessoas e não outras.

Uma das tarefas que deve ser levada a cabo pelas organizações atualmente é o chamado social listening – o processo de identificação e avaliação do que está a ser dito sobre uma empresa, indivíduo, produto ou marca na Internet. Esta é uma tarefa contínua e que dá algum trabalho a qualquer profissional de RP. Como tal, existem já diversas ferramentas que podem servir de auxílio.

Uma destas ferramentas é o Lissted.

O Lissted caracteriza a sua atividade como superhuman social listening. Esta ferramenta analisa aquilo que interessa às pessoas ou organizações mais influentes no Twitter e permite-nos perceber quem são as vozes mais influentes nas mais diversas áreas, e quais os conteúdos e discussões que lhes interessam.

Com o Lissted é possível encontrar os indivíduos e organizações que realmente atingem os públicos de determinada comunidade online. Estes encontram-se caracterizados em três tipos: os Influencers (pessoas e marcas consideradas lideres), os Insiders (podendo não ser tão conhecidos como os anteriores agitam a comunidade) e os VIP’s (celebridades, media, políticos, jornalistas com quem a comunidade tem mais afinidade).

Para tal, são utilizados algoritmos que analisam os verdadeiros influenciadores para perceber quem importa mais nenhuma comunidade no Twitter cruzando depois as suas respostas com as reações gerais nas redes sociais como o Facebook e o Linked In.

Com o Lissted é possível descobrir quais os conteúdos que estes influenciadores leem e as pessoas a quem reagem, pois se lhes interessam a elas podem interessar-nos a nós.

Outra das suas funcionalidades que contribui bastantes para facilitar o trabalho de um Relações Públicas é o facto de permitir uma monotorização constante da atividade dos influenciadores que nos interessam e receber alertas das suas atualizações.

Através desta ferramenta é possível fazer algo que pode ser bastante útil para a atividade de Relações Públicas que é a criação de listas de influenciadores que possam ser uteis à nossa organização.

Por exemplo, ao pesquisar o sector de Food and Restaurants, são-me automaticamente revelados quais os principais influenciadores desta comunidade:

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Ou quais os principais tópicos dos últimos 7 dias:

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Mas concentremo-nos, neste caso, na descoberta de influenciadores. Ao saber quem são os indivíduos (ou organizações) que têm mais influência dentro da comunidade na área em que atuo é uma enorme mais-valia para o sucesso das minhas ações. Se eu souber exatamente com quem devo comunicar para que a minha mensagem chegue mais facilmente aos meus públicos eu estou a garantir a sua melhor difusão.

Estes influenciadores são, muitas vezes, opinion makers como bloggers e figuras públicas. São pessoas cuja opinião é valorizada por muitos e que, frequentemente, ditam tendências e criam desejos.

 Uma organização precisa destes influenciadores, por isso, é crucial que saiba onde os encontrar para conseguir estabelecer boas relações que possam, eventualmente, ser um meio de divulgação.

Com o Lissted (e várias outras ferramentas que já existem para efeitos semelhantes) torna-se cada vez mais fácil criar redes de contactos que sejam benéficos para qualquer organização e que potenciem a sua divulgação.

Infelizmente a base de dados da Lissted ainda só conta com informação relativa aos Estados Unidos e ao Reino Unido mas uma possível expansão para Portugal viria a ser bastante benéfica para as relações públicas no nosso país.

Vejamos um exemplo da sua (possível, pois ainda não está disponível em Portugal) utilidade. Na semana passada, a McDonald’s juntou na Academia Time Out, no Mercado da Ribeira, em Lisboa, jornalistas e bloggers para apresentar a nova aposta da marca, os hambúrgueres Maestro com a assinatura do chef Miguel Gameiro. Estes foram convidados a experimentar a nova oferta sem saberem que estava relacionada com a cadeia de fast food. Posteriormente, os presentes falaram da experiência que tiveram nos seus blogs e social media. A seleção dos convidados não foi, portanto, feita aleatoriamente. É importante saber quem seriam os influenciadores cuja opinião poderia despertar a atenção do público e levá-los a experimentar estes novos hambúrgueres que, pelas opiniões, prometem fazer sucesso. Até eu, que não frequento a McDonald’s tenho de admitir que fiquei curiosa. Terei sido influenciada?

Podem ficar a saber mais sobre o evento na Briefing, na New In Town, no Last Minute Dreams, no Stylista, no Style It Up, e no Xanalicious.

 

Hambúrgueres há muitos, seu palerma!

O post desta semana vai ser um pouco mais virado para as Relações Públicas do que propriamente para a cozinha. Afinal, nem só de comida se faz uma estudante… Mas não se preocupem que no fim serão recompensados.

Todos temos ideia do que é uma estratégia. Um caminho para atingir um fim. Mas será que sabemos mesmo o que isso significa ?

Ao definirmos uma estratégia é importante ter em conta algumas questões. A primeira prende-se com o valor que a minha estratégia trará para a organização. Será que contribuirá para o seu sucesso? Acrescenta algo à organização e à comunidade com que me relaciono? A segunda questão é se esta estratégia será a mais adequada ao momento e à organização em especifico. Uma estratégia pode parecer muito boa mas, por vezes, não ser a mais indicada quando aplicada a um contexto muito particular. Para obtermos um conhecimento pleno da situação em que nos encontramos podemos recorrer a ferramentas de gestão que ajudam na criação da estratégia como a análise SWOT, PEST e as cinco forças de PORTER.

Na construção de uma estratégia em Relações Públicas devemos sempre ter bem definidas quais os objectivos que pretendemos atingir com a sua execução. Estes objectivos devem ser definidos de acordo com um critério SMART (Specific, Measurable, Achievable, Realistic, e Time-bound). É crucial termos estes objectivos bem definidos para podermos delinear o caminho mais rápido para os alcançar. 

Uma estratégia deve sempre ter em consideração vários elementos essenciais para o seu desenho. Os públicos com que a organização interage, que influencia e que a influenciam, a sua actividade, o valor que tem (o seu contributo para a sociedade), os custos implícitos à aplicação da estratégia e qual será o seu retorno, de que recursos irá necessitar, que canais serão utilizados para a sua divulgação, entre outros.

Nós não vemos a estratégia de uma organização, é invisível. Esta é definida mas é posta em prática através de tácticas. Estas são a parte tangível da estratégia, aquela com que os públicos entram realmente em contacto.

A estratégia é aquilo que permite distinguir uma organização de outra. Acrescenta valor à organização impulsionando o seu sucesso e a sua diferenciação face aos concorrentes. Assim sendo, será que copiar a estratégia de um oponente permite vencer o duelo ?

Vejamos um exemplo:

Em 2011, um brasileiro chamado Márcio Honorato abriu no Príncipe Real uma hamburgueria artesanal, uma das primeiras do género na capital. Sem dar conta, iniciou uma moda que se instalou um pouco por toda a parte.

“De repente, foi como se se tivesse descoberto a pólvora sob a forma de carne picada e pão de brioche. Começaram a chover hamburguerias em Lisboa, umas melhores outras piores. E por muito que o fenómeno possa soar a praga do Egito, passados quatro anos a precipitação continua, se bem que num volume menor.” – Observador

Ao Honorato seguiu-se a Hamburgaria do Bairro. O conceito era praticamente igual. Hambúrgueres artesanais com batatas fritas caseiras. E não só no conceito se assemelham os dois espaços. As próprias mensagens dizem, ambas, tratar-se do melhor hambúrguer de Lisboa.

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Fonte: Honorato

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“…estamos sempre prontos para dar a provar ‘o melhor Hambúrger de Lisboa'”.

Fonte: Hamburgueria do Bairro

As duas hamburguerias têm até algumas coisas que as distinguem. Enquanto que a Hamburgueria do Bairro limita o seu menú aos hamburgueres, às bebidas e a algumas entradas, servidas num dos seus simples espaços ou para levar para casa, o Honorato expande um pouco a sua actividade. Serve Gins, cerveja artesanal e cocktails e até conta com DJs a animar alguns momentos.

No entanto, a oferta de hambúrgueres é bastante idêntica, até no preço. E eu, já por diversas vezes, dei por mim a dizer que queria ir à Hamburgueria do Bairro quando me queria referir ao Honorato.  É fácil confundir as duas (pelo menos para mim).

A minha pergunta é: será que as estratégias destes restaurantes permite que se distingam? O Honorato foi o primeiro, podemos então considerar que a Hamburgueria do Bairro é apenas uma cópia? Se assim for, alguma irá ser considerada realmente a melhor?

Com a febre das hamburguerias ainda sem fim à vista, qualquer concorrente terá de ter uma estratégia bastante forte para se conseguir distinguir das restantes. Não poderá limitar-se a imitar aquilo que já existe correndo o risco de ser apenas mais uma.

Para terminar, e como prometi que iriam ser recompensados deixo-vos uma lista daqueles que foram considerados os Melhores Locais para Comer Hambúrgueres em Lisboa pela revista Visão para que possam experimentar e tirar as vossas próprias conclusões.

Fica uma sugestão para este fim-de-semana porque mesmo com chuva sabe sempre bem comer um hambúrguer!

 

Há jantar cá em casa, e agora ?

 

Uma das coisa de que mais gosto é de receber amigos em casa. Seja para um brunch, para almoçar, lanchar, jantar, petiscar… No Inverno, quando está frio e a chover e a última coisa que apetece é sair sabe sempre bem juntarmo-nos todos para um daqueles jantares de amigos que duram madrugada fora com conversas,  jogos da tabuleiro, karaoke e que pode acabar com alguns a dormir no sofá. No Verão, nos anos em que há campeonatos do Mundo ou da Europa é tradição reunirmo-nos em frente à televisão a ver os jogos e a petiscar. E eu adoro tudo (menos a parte de ter de arrumar tudo depois…)!

102def1ed0ab4cec0514c88e24db0eb3Fonte: Pinterest

No entanto, é inevitável que de cada vez que se decide que a reunião é em minha casa surjam uns momentos de pânico: O que é que vou cozinhar? Quantos somos? Quais as quantidades? E se alguém não gosta disto? Ou se alguém é alérgico àquilo?

É preciso investigar, e é exatamente por aqui que se começa todo um caminho que só acaba à mesa.

Organizar um jantar em casa pode ser equiparado a um plano de comunicação. O primeiro passo, e aquele sobre o qual vos vou falar hoje, é a investigação. Segue-se a planificação – definimos horas, fechamos o menu, fazemos a lista do supermercado, pensamos em como vamos decorar a mesa, quando vamos começar a preparar e por que ordem… – em terceiro lugar temos a ação, pôr literalmente as mãos na massa, cozinhar, ter tudo pronto e comer. É nesta etapa que nos juntamos todos à mesa e aproveitamos aquele que é um dos maiores prazeres da vida. Por último, temos a avaliação. Há alguma coisa melhor do que ouvir os nossos amigos dizer que aquilo que fizemos está bom?

A fase da investigação pode ser, por vezes, aquela que mais trabalho nos dará. É preciso garantir que estamos preparados para qualquer eventualidade e que não iremos deixar os convidados com fome.  Antes de decidirmos o que vamos servir é preciso garantir que sabemos aquilo de que os nossos convidados gostam ou não ou se têm alguma reação alérgica a algum alimento. Ou seja, temos de analisar o nosso público. É preciso também saber se alguém é vegetariano ou se, por exemplo, não consomem algo por motivos religiosos para não corrermos o risco de ferirmos suscetibilidades.

Uma das partes desta investigação que a mim me dá mais gozo é a de procurar novas receitas para experimentar. Percorro os (imensos) livros de receitas que tenho na estante e os meus sites favoritos em busca dos pratos que farão as delícias de todos. Podemos considerar que cada jantar se insere num setor diferente – isto é, o tipo de cozinha – e devemos estudá-lo bem para antes de tomarmos decisões quanto ao menu.  Depois, vejo o que já tenho em casa e aquilo que preciso de comprar antes de me aventurar no supermercado.

Conhecermos bem as pessoas que vamos receber facilita muito a tarefa (sei sempre que posso servir queijo aos meus amigos que ninguém se vai queixar) mas isso nem sempre acontece, e aí temos de procurar saber quais os seus gostos e preferências para que na hora de nos sentarmos à mesa todos fiquem satisfeitos.

Fazermos uma boa investigação é 33,3% do caminho para que o nosso jantar (ou qualquer outra refeição que sirva como motivo para juntar os amigos) seja um sucesso…

Para terminar deixo-vos algumas das receitas que têm feito parte dos convívios cá de casa e que se mostraram um sucesso:

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Sanduiches de Frango com Maionese de Lima
Salmão Fumado com Queijo e Ervas
Peixinhos da Horta
Ovos Recheados
Cogumelos com Queijo de Cabra

A arte do improviso

im·pro·vi·so

adjectivo

1. Improvisado, repentino, súbito.

substantivo masculino

2. Poesia, discurso ou peça musical que se inventa de repente.

Quando pensamos em improviso pensamos automaticamente em algo feito no momento, que advém da nossa imaginação face a algum acontecimento ao qual estamos a reagir. No entanto, o improviso, por vezes, requer preparação prévia. Então, será que o improviso dá muito trabalho?

Uma marca ou organização comunica com os seus públicos recorrendo muitas vezes ao improviso. Seja reagindo a grandes eventos ou acontecimentos ou seguindo tendências.

Um dos melhores exemplos desta comunicação em tempo real é a final da Super Bowl nos EUA. Em 2015, durante o jogo entre os New England Patriots e os Seattle Seahawks e no famoso halftime show foram enviados 28.4 milhões de tweets.  Para este hype contribuíram em grande parte as marcas que incorporaram nos seus anúncios do intervalo hashtags para serem utilizadas no Twitter. 

Este tipo de eventos pode oferecer excelentes oportunidades para as marcas comunicarem através dos social media atraindo a atenção do público. Foi o que fez a Cheerios, no ano passado, com este tweet:

cherios

Também a Oreo, marca que é conhecida pela sua excelente presença nos social media estava atenta à edição de 2013 reagindo de imediato ao apagão que se deu durante o jogo com este tweet que acabou por ter mais de 15000 retweets

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A rapidez no aproveitamento deste acontecimento deveu-se à equipa da agência de comunicação da marca, a 360i.

Mas a comunicação das organizações durante eventos ou acontecimentos não se limita à reação a ocasiões inéditos. A grande maioria dos eventos, e continuando com o exemplo dos eventos desportivos, têm momentos previsíveis. É normal que uma equipa marque, que outra sofra, que uma ganhe e a outra perca. E para tal as organizações podem se preparar de antemão. É possível ter conteúdos preparados para publicar de imediato quando algo suceder. As marcas que melhor atuam em tempo real são aquelas que melhor se preparam para tal.

– Muito bem, isto é tudo muito bonito e verdadeiro mas na cozinha o improviso não requer essa preparação. É deixar-se ir e pronto!

Será?

Ora vejamos, o exemplo do concurso culinário MasterChef. Um dos desafios que constituem o programa é a chamada Mystery Box onde os concorrentes são postos à prova através de uma caixa construída por ingredientes surpresa que tem de ser utilizados na confeção de um prato. Quando se deparam com aquilo que lhes é dado, os concorrentes têm um curto espaço de tempo para decidir o que confecionar e começar a fazê-lo.

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Isto não requer preparação? Para poderem preparar um prato digno de se manterem a salvo de uma possível prova de eliminação os participantes têm de dispor de certos conhecimentos, técnicas, ideias de receitas, pesquisa que já fizeram e que lhe pode ser útil naquele momento em que têm de tomar um decisão quase instantaneamente. Será que sem essa preparação prévia o improviso seria bem-sucedido? Talvez não.

Improvisar não é só fazer aquilo que nos vêm à cabeça no momento. Por vezes é essencial que estejamos já preparados para o fazer.