Rethinking the Enterprise

O paradigma empresarial atual está marcado pelo foco extremo nos resultados e na geração de lucro. Isto acontece de tal forma que o futuro do planeta e das gerações é posto em causa todos os dias. As organizações, em parte, deixaram de se preocupar com o bem da sociedade e não olham a meios para atingir o seu fim principal, o lucro.

Em Rethinking the Enterprise Philippe de Woot apresenta-nos o estado da economia contemporânea e os seus perigos para a sociedade enquanto nos tenta alertar para a urgente necessidade de uma revolução.

As empresas são o grande potenciador da criatividade económica e técnica. Como tal, acredita-se que servem, quase de forma automática, o bem comum através da “mão invisível”. Contribuem para a criação de riqueza e de emprego, sim, mas contribuirão atualmente para o progresso? Será que o facto de mediarem a ciência e a tecnologia faz com que participem realmente no processo evolutivo?

Nos dias que correm a economia tem se distanciado cada vez mais da ética e da politica. A par de um crescimento económico e de uma criação de riqueza sem igual aumentam também as desigualdades sociais, a pobreza, as injustiças e a desintegração social.  O planeta está a ser ameaçado em larga escala e o futuro encontra-se bastante comprometido. Face a tudo isto De Woot começa por colocar em causa a aceitação politica e moral do modelo económico em vigor.

O seculo 21 apresenta inúmeros desafios – o desenvolvimento sustentável, a abertura dos mercados e das sociedades, o aumento do emprego… – que precisam de resposta urgente. É preciso pensar em como podemos então reorganizar a criatividade das empresas de forma a responder a estes problemas.

Enquanto aumenta a riqueza, o mercado cria maior distanciamento entre ricos e pobres. A globalização também cria e acentua desigualdades, nomeadamente entre homens e mulher.

As empresas são o principal agente do sistema económico e dado o enorme poder que possuem têm também inúmeras responsabilidades entre elas tentar dar resposta às necessidades da sociedade. Em Rethinking the Enterprise encontramos o espirito de empresa, a criatividade e a inovação como respostas necessárias aos desafios que o mundo enfrenta.

As empresas têm de funcionar como stakeholders em conjunto com as autoridades e as forças sociais para que as mudanças realmente aconteçam.

As empresas estão em constante processo de mudança, atualizam-se e criam ovos produtos e serviços que ora substituem ora melhoram aqueles que já oferecem. A inovação e criatividade são características essenciais para a transformação do modelo económico que apesar de ter promovido o desenvolvimento começa agora a não ser capaz de responder às necessidades sociais.

As corporações têm um grande poder sobre o desenvolvimento de países e regiões o que levanta questões acerca das suas responsabilidades sociais e do papel que têm no desenvolvimento.

A área cientifico-tecnológica tem uma enorme representação a nível monetário para a economia mas também a nível social podendo tanto ajudar quem mais precisa como prejudicar gravemente o planeta. A economia funciona de um modo em que o que interessa é o aproveitamento dos recursos e aquilo que estes trarão em termos de benefícios. Não se baseia em valores. Se existe a possibilidade de criar muito dinheiro sendo irresponsável então essa irresponsabilidade é tida como justificada. O foco está na rentabilidade e não nos comportamentos éticos. Se der lucro a ética pode ficar de fora.

Existem até muitas empresas que consideram as CSR como algo que lhes possa trazer benefícios, longe da ética e da ideia de solidariedade. Acreditar que a contribuição das empresas para o bem comum assenta no facto de criarem riqueza e emprego não é suficiente. O seu poder é imensamente mais extenso.

O futuro do planeta e da sociedade está em risco e estamos a acabar com os recursos que temos demasiado rápido. O desgaste dos recursos e a poluição não são culpa exclusiva das empresas mas as necessidades económicas contribuem muito para tal. É então importante que as empresas passem a agir de acordo com a ideia de que têm um enorme poder para deixarem de ser parte do problema e se tornarem parte da solução.

As empresas podem ter aqui um papel muito importante se adotarem uma cultura responsável. Não conseguirão fazê-lo sozinhas. Serão, no entanto, um importante agente participativo em conjunto com os restantes órgãos sociais e políticos.

É preciso restaurar a dimensão ética e politica da economia e repensar o propósito das empresas. É indispensável colocar as operações das empresas num contexto de ética e bem comum sem os quais esta não poderá ter legitimidade politica ou moral.

Têm a responsabilidade de aplicar a sua criatividade de modo a que sirva para o bem comum e que tenha significado. É essencial orientar a criatividade para que leve ao progresso e não se centre exclusivamente no lucro.

O lucro não pode ser o propósito da empresa. É preciso mudar não a estrutura mas sim a cultura das organizações. A cultura são os genes da organização, incluindo os valores que guiam a sua ação. Assim sendo, é crucial que a ética esteja aqui bem presente.

Algumas empresas já o fazem, é o seu soft power.

As dimensões politica e ética são essenciais para guiar o comportamento da organização. As empresas têm de ter consciência das consequências dos seus atos e da influência que estes poderão ter nos outros e na sociedade.

As empresas têm de pensar no tipo de mundo que estamos a construir e em qual a contr

Proposta de desenvolvimento sustentável  – atingir as necessidades do presente sem comprometer o futuro

A nível politico as empresas tem de entrar no debate acerca de uma proposta de desenvolvimento sustentável – de modo a atingir as necessidades do presente sem comprometer o futuro – em conjunto com os restantes stakeholders da sociedade.

“Ethics ‘by interest’ is not ethics” – p.66

As empresas não podem simplesmente dizer que atuam no âmbito da Corporate Social Responsability ou limitar esta atuação a apenas alguns setores. Se esta estiver presente apenas em algumas práticas e não na cultura e nas atitudes da organização então não tem efeito transformador.

Neste caso, e no que às relações públicas diz respeito não basta “fazer o bonito”.

Do ponto de vista da liderança são precisos lideres capazes de guiar a mudança cultural, de gerar motivação. Lideres que oiçam e se preocupem, que sejam responsáveis pelas atitudes assegurando a consistência com os valores. Respeitar as pessoas e o bem comum tornando-se um líder ético. Construtor da consciência

As empresas, e claro os seus lideres, devem desenvolver a ética no seu core.

Outra questão essencial é a criação da corporate citizenship. Uma organização que desenvolva a sua cultura politica, que participe nas discussões da comunidade para o bem-comum, nos debates e assuma a sua responsabilidade politica.

Todas estas questões encontram-se, em parte, sob a alçada das relações públicas. Através do desenvolvimento de uma cultura com base na ética, dando a devida importância à responsabilidade sem que esta se limite a uma fachada para “parecer bem”. Os profissionais de relações públicas terão aqui um papel de extrema importância na medida em que é necessário trabalhar a participação das empresas na sociedade em coadunação com os valores estabelecidos. As organizações como cidadãs envolve um trabalho não só a nível de comunicação e de apoio social mas também de transformação da cultura e do seu posicionamento. Para além de tudo isto, faz também de certo modo parte das responsabilidades das relações públicas a garantia da legitimidade das empresas pois só assim estas conseguirão ter um verdadeiro impacto na sociedade.

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