De olhos postos no verão…

Hoje é o último dia de aulas do semestre. Estou no mesmo sitio onde escrevi o post que deu inicio a este blog. É impossível evitar olhar para trás e fazer uma retrospetiva dos últimos três meses em jeito de review.

Quando comecei a pensar em qual o tema que iria escolher para este blog a cozinha foi o meu primeiro pensamento. No entanto, e como queria relacioná-lo com as Relações Públicas, tive algum receio de que não fosse conseguir fazer uma ligação entre as duas às áreas que, à primeira vista, não têm nada a ver uma com a outra. Mas esse entrave acabou por se verificar pouco real. Acabei por perceber que existem, na verdade, muitas semelhanças entre aquilo que são as RP e a comida. Até existem parecenças entre um chef e um profissional de RP: são ambas profissões que causam (muito) stress, que muitas vezes não têm horários, e que requerem uma gestão de equipas e de relações para que tudo funcione. Não percebi tudo isto no primeiro post, fui percebendo ao longo desta “aventura”. Tal como fui percebendo muitas outras coisas sobre as Relações Públicas das quais não tinha noção antes do inicio deste semestre.

Este blog foi acompanhando o meu percurso como estudante de relações públicas ao longo dos últimos meses. E, tal como acontece atualmente nesta área, o mundo está em constante mudança, a informação muda instantaneamente, o que é verdade agora pode não o ser daqui a 2 minutos (ou menos). Foi mais ou menos o que aconteceu com a minha perceção do que são as RP. Não mudou completamente, mas sofreu algumas alterações.

Ao reler o post que escrevi em Março, realizei que apenas me foquei no lado mais tradicional das relações públicas sem dar especial foco àquilo que são hoje em dia face às alterações no mundo e na sociedade. Este semestre mostrou-me isso mesmo. Que as relações públicas são confrontadas diariamente com problemas e questões que lhes chegam de forma diferente, cada vez mais rápida e que o modo como comunica está em constante transformação.

Continuo a acreditar, como acontecia ao inicio, que a comida é uma forma de comunicação. Que as RP são “responsáveis por criar relações duradouras entre uma organização e os seus públicos.” e “Cozinhar para alguém ou partilhar uma refeição é uma das melhores formas de fortalecer os laços que temos com essa pessoa.” Mas quando escrevi uma definição de Relações públicas como “…um dos métodos através do qual a sociedade se ajusta à mudança das circunstancias” não tinha bem a noção destas mudanças. Assim como também não sabia que a comida (e a culinária em si) vão acompanhando, e muito, estas mudanças.

Os social media têm um forte impacto nas RP de hoje em dia , tal como têm em tudo. Ao mesmo tempo que, por um lado, fazem com que a comunicação seja mais rápida, imediata e de chegue mais facilmente aos públicos, requer também uma adaptação constante à mudança (que acontece a cada segundo que passa) e um cuidado com aquilo que se diz/faz e que pode ter graves repercussões na reputação da organização. O mesmo se passa com a amizade. Enquanto que permitem que estejamos sempre ligados aos nossos amigos, que falemos com eles sempre que precisamos, que demonstremos publicamente os nossos afetos, os social media também causam alguns transtornos, alterando aquilo que era (e deveria continuar sempre a ser) a comunicação ente amigos. Quando estamos reunidos, quantas vezes não estamos todos agarrados ao smartphone, a ver o feed do Instagram ou do Facebook? Muitas dessas vezes estamos até a identificarmo-nos uns aos outros em publicações…

Estamos constantemente ligados e a comunicar, e como tal, o modo como as RP atuam tem de se ir adaptando a este novo ambiente não se deixando ficar para trás. O mesmo acontece no mundo da culinária. Tem de haver uma adaptação constante ao “novo mundo” para que não se percam hábitos, tradições, mas que também não se deixe cair no esquecimento, não perca o interesse e não se torne numa coisa meramente necessária.

E acho, sinceramente, que tal não vai acontecer. Estas duas áreas estão em expansão e têm ainda muito espaço para crescer pois têm cada vez mais importância. A food culture está na moda. As redes sociais são inundadas diariamente por fotos de comida, as apps de restauração multiplicam-se, já ninguém vai a lado nenhum sem fazer check-in na Zomato. Toda a gente tem uma opinião sobre tudo e não têm medo de a expor, o que é cada vez mais fácil graças à proliferação da internet e dos meios de comunicação acessíveis em qualquer lugar e com um espectro de influência bastante alargado.

Tudo isto comprova também a necessidade muito presente das relações públicas como meio de monitorizar tudo isto, tentando ao máximo prever possíveis riscos e colmatar potenciais falhas. Qualquer organização precisa, cada vez mais, de um departamento de relações públicas que se consiga adaptar a este novo ambiente e que crie valor e distinção.

No mundo atual, as relações públicas são dos bens mais essenciais (tal como a alimentação) pois com tantas ideias e opinião a surgir e a “flutuar” ao mesmo tempo e vinda de tantas fontes diferentes torna-se crucial a existência de “alguém” que as gira ao máximo para prevenir os danos potencialmente catastróficos que advém do choque de tantas diferenças.

Embora possa parecer, este post não é uma despedida! Vou continuar a passar por aqui para partilhar convosco o “sofrimento” de ser estudante de RP mas tentando sempre fazê-lo da forma mais saborosa possível. Agora, com o verão (e as férias!) mesmo aí à porta, vou por os meus “óculos de RP” (escuros…) e sentar-me numa esplanada qualquer, olhando para o mundo da nossa maneira muito própria, com os meus amigos… E não se preocupem. Não vou guardar nada só para mim e poderão contar com as minhas sugestões para que, neste verão, ninguém fique em casa agarrado ao Facebook a ver “passar” a vida dos outros mas que saiam e criem conteúdos daqueles que vale mesmo a pena partilhar!

102def1ed0ab4cec0514c88e24db0eb3

Anúncios