Com este tempo até parece que estamos no Natal…

Lembro-me perfeitamente do dia em que deixei de acreditar no Pai Natal. Noite de 24 de dezembro e o Pai Natal estava lá em casa. Sentou-se numa cadeira e disse-me para ir para o seu colo. Fui, nervosa com tanta excitação, e reparo que o Pai Natal tem os óculos da minha avó. Seguiu-se a desilusão. O Natal perdeu, momentaneamente, a sua magia. Mas, agora que cresci, e que comecei a estudar Relações Públicas percebi que a existência do Pai Natal depende da eficiência do seu departamento de comunicação.

O Pai Natal tem o melhor departamento de relações públicas de sempre.

Na minha cabeça consigo imaginar o velho de barbas brancas, na sua casa na Lapónia que funciona como uma autêntica organização.

Cada departamento funciona em simultâneo para proporcionar ao seu público principal, as crianças, o melhor natal possível.

Engana-se quem pense que o natal começa quando as criancinhas enviam as suas listas de desejos. Tudo começa a ser preparado assim que acaba um natal. O plano é redefinido anualmente de acordo com o que se passou no ano anterior, corrigindo o que correu mal e reajustando aquilo que se considere necessário (é cíclico, que como qualquer plano de comunicação, depois de avaliado pode ser necessário recomeçar).

Tudo isto parece não fazer sentido, não é? Vejamos, então.

Olhemos para o trabalho do Pai Natal como se de uma organização se tratasse. A preparação de um evento como o Natal requer uma logística enorme e que envolve um grande numero de pessoas para que seja bem-sucedida. Temos o departamento financeiro, o de gestão de stock, o de produção, de compras, de clientes, de marketing, de controlo de qualidade, de distribuição, entre outros geridos maioritariamente por duendes (exceto a distribuição que, como sabemos, se encontra sob a alçada das renas). Mas o departamento mais importante é, claramente, o de comunicação. Porquê? Parece-me óbvio.

Existe alguma figura que causa mais alarido e excitação do que o Pai Natal? E não é só junto das crianças, apesar de estas serem o seu foco principal.

O Pai Natal é uma figura típica de muitas culturas ocidentais que se encontra bastante enraizada nas mesmas. Desde cedo, o natal é para a maioria das crianças totalmente centrado na chegada do Pai Natal com os presentes que pedem. São muitos os pais que usam a ideia do Pai Natal para convencer a pequenada a portar-se bem durante todo o ano sob o risco de não receberem qualquer prenda.

São várias as figuras históricas das quais deriva a representação moderna do Pai Natal. O Father Christmas (Grã-Bretanha), o Sinterklaas (Holanda) e o Saint Nicholas (Grécia). Mas a sua figura diverge da dos anteriores tendo apenas características de cada. Father Christmas vestia de verde e representada o espírito da alegria, Saint Nicholas oferecia presentes generosos aos mais pobres, já Sinterklaas é o presumível progenitor do Pai Natal.

Mas é a partir do século XX que esta figura se massifica. São as míticas campanhas da Coca-Cola, que se iniciam nos anos 20, que começam a estruturar a figura do Pai Natal como o conhecemos hoje. É em 1931 que surge a primeira campanha com uma ilustração do “Santa” como uma figura tanto realista como simbólica, o próprio Pai Natal e não alguém mascarado. Até 1964, a publicidade da Coca-Cola mostrava sempre o Pai Natal a distribuir brinquedos, a ler cartas, a visitar crianças e a espreitar os frigoríficos das casas das pessoas.

A personagem do Pai Natal está tão bem construída que a sua representação é sempre semelhante. Velho, gordo, de barbas brancas vestido de vermelho, com um cinto preto e botas da mesma cor e um barrete.  Transporta os presentes dentro de um grande saco, num trenó conduzido por 9 renas. Gosta de leite e bolachas.

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A reputação do “old saint Nick” é irrepreensível. Segundo Jonathan Meat, um produtor de televisão que se mascara de Pai Natal para visitar crianças em hospitais, “O Pai Natal é o único ícone cultural que é um homem, não possui uma arma, e está pela paz, a alegria, o dar e o cuidar dos outros.” Nunca encontramos qualquer referência negativa ao Pai Natal em qualquer meio de comunicação.

Os seus valores estão bem presentes e são reconhecidos por todos: a amizade, a bondade, a partilha, são componentes constantes em qualquer campanha que envolva o Pai Natal.

Dentro dos diversos stakeholders com que se relaciona, as crianças são o público principal do Pai Natal. É rara a criança que, pelo menos até certa idade, não acredite no Pai Natal e não anseie a sua chegada. E é fácil perceber porquê. Esta personagem está presente em todo o lado (existe uma constante ativação de marca), é sempre representada de forma positiva e friendly mesmo por terceiros, e a sua chegada contribui para a felicidade de pequenos – e graúdos (alivia até muitas dores proporcionando momentos de felicidade).

O público está convencido, o Pai Natal continua a ser a figura central desta época festiva (muito mais do que o Menino Jesus) e a ideia tida do velhote é praticamente inabalável. A sua comunicação é tão bem feita que algumas crianças recebem, “misteriosamente”, cartas de resposta às suas listas.

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Se isto não demonstra a eficiência do departamento de Relações Públicas, não sei o que o fará.

E então, o Pai Natal existe? Claro que sim. Desde que continue a apostar nas RP….

Mas…. Há algum motivo para falar do Pai Natal quando estamos a desesperar pelo verão? Não, no entanto, é uma ótima desculpa para partilhar a receita de umas das minhas bolachas preferidas!

Bolachas de Manteiga de Amendoim e Chocolate

Ingredientes:

1 chávena de manteiga de amendoim

1 chávena de açúcar

1 ovo

½ chávena de pepitas de chocolate

Preparação:

Pré-aquecer o forno a 175ºC e cobrir um tabuleiro com papel vegetal.

Com a batedeira, misturar a manteiga de amendoim, o açúcar, o ovo e as pepitas até estar tudo bem combinado.

Formar bolinhas com a massa e mergulhá-las em açúcar par cobrir. Dispor as bolas no papel vegetal e espalmar. Colocar mais algumas pepitas de chocolate por cima.

Levar ao forno entre 6 a 8 minutos. Remover e deixar arrefecer.

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